Apesar do longo relacionamento (12 anos de união, entre idas e vindas, entre o primeiro beijo e casamento), achei que, aos meus 31 anos, emprego e relacionamento estável, casa para morar, era uma situação ideal para engravidar… Mas a resposta é: não, não era.

Ainda me lembro no momento que falei com o meu marido sobre a decisão. Estávamos voltando de viagem, ele dirigindo e eu, como sempre, tagarelando sobre finanças. Eu falei:

“Estamos tentando viajar há anos, mas não conseguimos juntar dinheiro (no mesmo ano, tivemos uma despesa surpresa de mais de R$4.000,00 com o carro), também não estamos quitando o apartamento na mesma velocidade que planejamos. Ultimamente, estamos querendo voltar mais cedo dos encontros nos bares, evitamos baladas e apreciamos muito as nossas tardes no sofá de casa… Por conta disso, resolvi que irei parar de tomar pílula e deixar as coisas acontecerem”. Houve um longo momento de silêncio, uma gole seco e um doce e lindo : “Ok! Bora nessa ver no que vai dar”.

(Nota do editor e marido: confesso que fiquei chocado com a decisão instantânea, mas tentei demonstrar naturalidade no momento, já conhecendo a minha companheira e seus planejamentos repentinos).

Claro que depois de mais de dez anos de pílulas tomadas em horários não regulares e alguns dias esquecidos, o mais lógico era que fosse demorar um período de pelo menos um ano para engravidarmos.

Neste período, pensei que poderia engatar uma pós, dar um up no emprego pra juntar mais grana, organizar nossa vida financeira e tentar realizar todas as pendências que deixamos sempre para depois (como aquela tão sonhada viagem pra Tailândia, China e Japão).
E, logo no primeiro mês sem métodos anticoncepcionais, fomos agraciados pelos dois palitinhos no teste de farmácia. Sim, senhores, logo no primeiro mês!

Todos aqueles planos a curto/médio plano foram substituídos por tutoriais na internet de como manter a dieta/corpo numa gravidez! Toda aquela sonhada preparação do ninho já tinha prazo: 9 meses para ser concretizado.

O primeiro mês da gravidez, resumido a uma palavra, foi: download. Aprendizado de novas palavras como culote, concha de amamentação, puerpério, ordenha (sim! Humanos também podem ser ordenhados), chupeta ortodôntica, tour por maternidade… Fora todos os vídeos de: como evitar estrias, como interagir com o pequeno ser na barriga, como o pai pode ajudar desde a gestação, como relaxar o bebê, etc.

Sempre tive o sonho da gravidez ativa, afinal, eu ia para academia 3 vezes na semana para fazer muay thai, fora as corridas pré treino. Fiz zumba nos três primeiros meses para ter uma atividade mais moderada. No entanto, no quarto mês veio a noticia: gravidez de risco por conta de placenta baixa e (o temido) repouso quase que total. Mais uma vez fomos pegos em um “recalculando rota”, pois até tive que planejar melhor o meu trabalho para poder seguir trabalhando, evitando viagens e esforços físicos… Claro que, com a típica fome sem fim de uma grávida, o peso esperado que eu deveria ganhar de 9kg viraram 17kg! E sapatos? Para que? Meus melhores amigos foram as rasteirinhas mais largas, maiores blusas e calças todas com elástico!

Minha mãe teve cinco filhos de parto normal… Todos com um curto período de trabalho de parto. Por isso, eu estava confiante de que, na minha vez, eu teria aquela cena tradicional de “A BOLSA ESTOROU”.

Mas devido ao problema na placenta, isto foi trocado pela mensagem fria: “que data podemos marcar a cesárea?”. Me apavorei, porque nunca havia passado por uma cirurgia tão grande. Surpreendentemente, tive uma recuperação maravilhosa, meu leite veio rápido e o meu Bernardo…bem.. esse era o maior da maternidade!

O quero dizer com isso é que, quando o assunto é gravidez, não existe planejamento que seja totalmente seguido. Sempre haverão contratempos e surpresas (boas ou não) e um “recalculando rota”. Feche os olhos, se jogue na beleza que é a vida e aventure-se no caminho do maior amor que você conhecerá na sua vida.

Texto colaborativo de Milena Filomeno K.

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