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Sou um cara acostumado a não gritar gol antes do tempo, não comemorar vitórias quando o título está na mão e contar vantagem só quando a conquista está de favas contadas. Por isso mesmo, digo que sofri silenciosamente uma angústia nos três primeiros meses de gestação.

Primeiro, porque não tinha para quem compartilhar as novidades e anseios da boa nova que veio para mudar a minha vida. Segundo porque esses são os meses mais propícios para aborto natural, principalmente para mulheres que estão engravidando pela primeira vez, como é o caso da minha mulher.

Por isso, tal qual Jack Bauer correndo contra o relógio, eu contava minutos, horas e dias até que as benditas 12 semanas passassem e eu pudesse respirar aliviado.

Nessa coisa de ansiedade, eu senti que a gravidez é feita de pequenas barreiras que você vai ultrapassando até a linha de chegada – no caso o parto propriamente dito.

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É a barreira de cada exame (com confirmação de que está tudo bem), dos três meses, de como a mulher lida com a gestação (e todo tipo de eventualidade que pode acontecer com ela, como se meter em uma briga com garrafas no bar ou trânsito, entrar em confronto com a polícia em épocas de manifestação, entre outros), entre outros.

Cada vez que eu ultrapassava uma barreira, comemorava naquele instante como um penalty na final do campeonato. Mas, segundos depois, meu cérebro teimava em recalcular a rota e mirar no próximo desafio.

Assim, acabei construindo um paralelo da gravidez com a Copa do Brasil. Ele é um torneio longo, com jogos decisivos em toda rodada e, por mais que você queira imaginar o grande duelo na final, vai ter que focar seus esforços da disputa da próxima fase.

Assim sendo, considero que ultrapassar o primeiro trimestre da gestação é entrar para as oitavas de final da Copa do Brasil. Agora, depois da classificação para esta fase é manter o time coeso, unido e dando o sangue em torno de um ideal comum, o título. Mas, sem deixar de pensar no próximo mata-mata, é claro!

13ª semana