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Quase ninguém fala sobre isso. Você, se um dia chegar nessa fase da vida, também vai relutar em assumir. Talvez por vergonha; talvez por ter medo de ser julgado ou coisa que o valha. Mas, é impossível ficar indiferente a partir do momento em que sua companheira (peguete ou afim) chega pra você e fala: “Eu acho que estou grávida”.

A primeira vez que ouvi isso não tive a melhor das atitudes. Um sonoro: PUTAQUEOPARIU! saiu da minha boca, sem eu ao menos eu consegui raciocinar o que estava acontecendo. Foi tão instintivo quanto a reação a uma topada em uma pedra.

(Mas, reconsiderem. Na época eu tinha apenas 21 anos, um trabalho de merda sem nenhuma perspectiva e não tinha a menor ideia do que queria na minha vida).

Hoje, as coisas mudaram. Tenho um relacionamento longo e estável. Não consegui tudo aquilo que sonhava nos meus 20 poucos anos (editoria chefe de um grande jornal ou um repórter internacional), mas me orgulho das conquistas que tenho e da maturidade que adquiri ao longo da vida.

Aí você pergunta: como foi a minha reação ao saber que minha mulher estava grávida? Olha, ela não foi muito diferente da reação acima.

EU NÃO ACREDITEI!

(Para ser sincero, invejo um pouco a reação retratada dos filmes de comédias românticas, ou aquelas matérias que captam a cara de bobo/apaixonado do pai ao receber a boa nova. Comigo não rolou surpresa e nem ar apaixonado).

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Sim, tínhamos planejado nos empreitar no projeto Filho há apenas um mês. Mas como antes disso foram mais de 10 anos tomando pílula anticoncepcional e, de acordo com o manual do boca-a-boca, na minha impressão as coisas demorariam uns bons meses até emplacar

(Inclusive meu projeto de pagamento de dívidas dependia desses bons meses até vingar. Ou seja, me fu*!!!)

Mas, como diria os Racionais, contrariando as estatísticas, um guerreiro conseguiu penetrar no front inimigo logo no PRIMEIRO MÊS SEM CONTRACEPTIVO.

Isso mesmo que você ouviu, um mês regado a nenhum cuidado, muita bebedeira (muito mais dela do que meu) e sem qualquer planejamento de data, ciclo de fertilidade, posição da lua, astros e os Cavaleiros do Zodíaco.

Ou seja, independente do que acontecer, este ser já é um vencedor na vida.

(Se um dia você chegar a ler isso, filho(a), saiba que, apesar disso tudo, foi feito com muito carinho e amor)
Apesar de todas as matérias e informativos nos próprios testes de gravidez, quando você se pega ali, vendo dois tracinhos assinalando positivo, demora crer que estava grávido.

Minha Mulher – Estou grávida

Eu – Este traço está mais fraco, tá negativo! Você fez a parada corretamente? E se este aqui veio com problemas? Estes testes vivem dando falso positivo!

Minha Mulher – Está bem claro o resultado pelos traços. E, teoricamente, o teste garante 99,5% de eficácia!

Eu – E se a gente foi o 0,5% da margem de erro? E se este teste tem a mesma margem do Data Folha?

Muitas perguntas na verdade encobriam uma nova realidade que estava por vir e que eu relutava em aceitar. EU VOU SER PAI, PORRRA!!!

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Neste instante um monte de coisas passam na sua cabeça: Será que estamos preparados? Será que vai dar tudo certo? O que eu tenho que fazer agora? Bem que eu deveria ter iniciado aquela poupança ano passado.

Não preciso dizer que nem eu e nem minha mulher não dormimos à noite. No dia seguinte, uma consulta já foi agendada para o médico dela, onde a minha certeza só veio ao conversar com ele.

Apesar de mal conhecer nossa vida como casado, começar a acompanhar a minha esposa há pouquíssimo tempo, o doutor nem pestanejou em dar os parabéns e falar com toda a certeza:

– Parabéns, vocês serão pais!

A ficha realmente caiu ai. Era um especialista afirmando (e não um plástico que reagia quimicamente a uma urina).

Neste instante um sorriso tomou conta de mim, acrescido de uma curiosidade absurda de todos os cuidados, precauções e próximos passos a tomar.

Depois de inundar o médico de perguntas, sai do consultório com uma certeza: começava ali o grande projeto da minha vida: a paternidade.

Se ele vai vingar, não sei. Como aquele bebê vai vir ao mundo? Não tenho a mínima ideia.

Só sei que a ficha começou a cair naquele instante. Minhas mudanças não era físicas e hormonais como a da minha mulher. Elas eram muito mais sutis, internamente, mas tão reais quanto.

E, a cada dia que passa, elas se tornam cada vez mais aparente.

(5ª semana de gravidez)