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A polêmica se deu na véspera dos Dia das Crianças: a Escola de Princesas, que já existe em Minas Gerais, abrir uma filial em São Paulo para de 4 a 15 anos que tomam um banho de conceitos e valores tradicionais, como o da iniciação sexual tardia, ética, corte e costura.

A notícia gerou polêmica nas redes sociais e uma questão perdurou: Será que é errado ensina as meninas a serem princesas?

Afinal, o que prega a Escola das Princesas?

Antes de mais nada é preciso apresentar o conceito da Escola das Princesas. Criada pela psicopedagoga Nathalia de Mesquita, a escola oferece uma formação de três meses para meninas de quatro a 15 anos com o objetivo de passar o que os orientadores entendem por ‘valores de uma princesa’, tais quais humildade, solidariedade e bondade.

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Além disso, lá as meninas vão aprender a como arrumar o cabelo e se maquiar até regras de etiqueta, de culinária e como organizar a casa. As aulas são ministradas por profissionais diversos, entre cabeleireiros, cozinheiras, nutricionistas e psicólogos.

‘O sonho de toda menina é tornar-se uma princesa’ é o mote da escola. É aí que começo a enxergar o problema. Assim como todo menino não quer realmente ser um jogador de futebol, acho falho acreditar que toda menina queira ser uma princesa, uma mulher dedicada a tarefas domésticas e do lar, subserviente e comportada.

Além do mais, o espaço tem como objetivo o resgate dos valores morais, para impedir que as garotas iniciem sua vida sexual cedo e, provavelmente, reservem para o casamento.

Para se ter uma noção da visão distorcida dos idealizadores do projeto, em uma das seções do site da Escola, existe uma lista de características que considera essenciais para toda menina ser uma princesa.

Entre elas, a afirmação de conceitos arcaicos como: “Matrimônio: o passo mais importante na vida de uma mulher”. Além disso, a Escola toca também na questão da desigualdade de classes, ao defender que toda menina, para ser princesa, precisa ter um castelo, além de saber como dar ordens aos funcionários.

Em São Paulo, a filial será aberta por Silvia Abravanel, filha de Silvio Santos, na região de Moema.

E qual o problema de criar sua filha com essa visão de princesa?

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Não vejo problema nenhum em ministrar ideais de humildade, solidariedade e bondade. Mas, porque delegar tão somente as mulheres esta tarefa?

Já descobrimos por meio da nossa própria sociedade, que fazer uma garota ser uma expert nos afazeres domésticos não vai equilibrar a desigualdade entre os gêneros. Pelo contrário, só aumentou.

Existem muitas garotas que querem brincar de bonecos, jogar futebol e aprender lutas. Enquanto existem meninos que não curtem as coisas acima. E não existe mal nenhum nisso.

Meninas podem gostar de se vestir como princesas, brincar de bonecas e adorar a cor rosa. Mas, a função dos pais é não limitar esses valores e fechá-la somente neste mundinho.

Tudo bem que exista um espaço que ofereça um mundo de princesa para sua filha. Mas que tal sair do senso comum e dar um passo adiante. Oferecer escola de matemática, ciência, artes, mecânica, futebol, tecnologia para as meninas.

Melhor do que isso, que tal oferecer esses espaços e cursos e não limitar a um gênero a sua participação?

Dê a seu filho as opções para escolher e você terá um ser humano muito mais consciente.

Fontes: Catraca Livre e Estadão