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Dizem que um dos momentos de grandes transformações na vida de um casal acontece após o parto, quando os dois agora tem que se adaptar a uma rotina totalmente nova com mais um integrante: o bebê.

+ A emoção indescritível de ver meu filho nascer

Eu já revelei aqui em um outro texto toda a tensão e expectativa que foi até o nascimento do meu Pequeno Hulk. E agora, completando o primeiro mês com ele aqui em casa, resolvi falar como foram os primeiros dias – mais tensos, mas muito gostosos – com o mais novo integrante.

Vale relembrar que somos pais de primeira viagem e, por isso, não tínhamos nenhuma expertise no cuidado com mais uma pessoinha que vinha por aí. Então, você já pode imaginar que o perrengue é muito maior.

Maternidade, céu na terra para os pais

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Se fosse possível, aposto que minha mulher e eu estenderíamos a estadia na maternidade por um mês. É lógico que é o período tenso para elas que acabaram de fazer uma cirurgia (se for cesária então, o pós-parto é muito mais traumático), mas a assistência que recebemos de lá (maternidade particular, com quarto apartamento) foi absurda.

Refeições de três em três horas, enfermeiras para prestar toda assistência e cuidado. Você, pai e mãe de primeira viagem, que não manja de p#%$@ nenhuma dos paranauês de filho, aproveitem, esses dias serão os últimos de tranquilidade neste começo.

Abaixo segue um diálogo por interfone que ilustra isso e me orgulho de ter participado no hospital:

– Alô, é da enfermaria?
– Pois não?
– Meu filho acabou de cagar?
– Já estamos indo aí para trocá-lo

Por isso, aproveitem para aprender com as enfermeiras como trocar fraldas, dar banho, esclareçam todas suas dúvidas sobre amamentação, cocô, sono, etc. Os conselhos serão muito valiosos no futuro bem próximo.

Pais de merda

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É na maternidade que você descobre que seu filho não é um bichinho virtual fácil de entender (por mais livros, vídeos e sites que você tenha buscado para aprender).

Lembro de um momento na maternidade em que o bebê não parava de chorar, minha parceira e eu já tínhamos tentado amamentação, ninar em pé, deitado, de lado, visto se o pequeno estava com febre e tudo mais e nada, mas o choro persistia.

Quando desistimos (ou não aguentávamos mais o choro e a angústia do bebê), chamamos a enfermeira e, em 2 minutos ela trouxe a paz no quarto e a calmaria do pequeno. O que ela fez: simplesmente viu que ele estava cagado e trocou as fraldas.

A gente tinha pensado em tudo, menos no bendito cocô. Nesse instante, ambos desconsolados, o termo “Pais de Merda” nunca fez tanto sentido 🙁

A primeira noite sem fim

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O primeiro grande desafio foi a primeira noite com o pequeno (apesar de estar no hospital, ele ficou no apartamento, com os nossos cuidados). A nossa foi bem traumática, com ele acordando de hora e hora e, quando não estava acordado, éramos a minha companheira ou eu que levantávamos para saber se ele estava respirando.

Na manhã seguinte, ambos de olheiras e mortos de sono, eu pensei: se isso for durar o resto da vida, acho que vou me matar…

Felizmente tudo não passou de uma noite ruim para o pequeno. Depois ele se acostumou a acordar ‘só duas ou três vezes’ à noite, para amamentar. Isso para um pai e mãe é tranquilo.

A tensão da amamentação

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Vou assumir minha certa inocência neste quesito ao pensar que no instante em que a mãe colocasse o bebê para amamentar, automaticamente o organismo virasse a chavinha e começasse a jorrar leite, tal qual uma torneira de chope. Ledo engano.

Os primeiros dias para a amamentação são bem tensos. Demora para o organismo produzir o colostro (líquido que antecede o leite cheio de anticorpos) e vai precisar de muita paciência e insistência da mãe e do bebê em diversas tentativas que provavelmente vão ocasionar em machucados e até sangramento da mama.

Nessas horas, a tendência é da mãe se sentir mal, tensa e ansiosa por não estar amamentando o filho. Para piorar o nosso caso, cada enfermeira dava uma orientação diferente. Ficamos com os questionamentos na cabeça. Será que dar um pouco de leite não-materno vai fazer a criança rejeitar o peito? E se não der leite? E se a criança não pegar peito?

Felizmente, as coisas foram se acertando e no quarto dia o leite chegou para a nossa alegria (e a do Bernardo também).

Embora pra casa: Vamos para vida real

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Saindo do hospital, optamos por ficar na casa da minha sogra por uma semana, para aliviar um pouco o choque do hospital com a responsa de ter que cuidar sozinhos. Foi uma escolha mais que acertada.

Na casa da sua mãe, minha mulher teve como preocupação cuidar do pequeno (amamentação, fraldas, dormir, etc), deixando os cuidados de casa e alimentação para sua mãe, irmã e eu.

A dica que fica é que, quanto mais responsabilidade tirar de cima da mãe nesta hora, melhor. Ela conseguiu se recuperar melhor e mais rápido da cirurgia e ainda tinha pessoas que podiam ficar com o bebê enquanto ela preocupava-se com outras coisas ou mesmo descansava um pouco.

Por isso, se existe a possibilidade de alguma mãe, parente ou amiga ajudar a mulher, não tenha vergonha de aceitar.

Agora é só nós quatro

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Como a realidade chega para todos, passada a semana, voltamos para a nossa casa. Nas primeiras semanas foi um pouco mais puxado, já que tínhamos que nos adaptar à nova rotina de afazeres domésticos e cuidados com a pessoinha.

Foi aí que me dei conta o como é desigual a coisa. Por mais que você, homem, tenha tempo disponível para dividir as tarefas em casa com sua mulher, boa parte da responsa com a criança é dela.

Você não tem peitos, o que elimina 70% do trabalho com o bebê. Ainda que troque a fralda e dê banho, a balança sempre tende a pesar muito mais para ela, que precisa acordar algumas vezes durante a noite para amamentar (sem falar nas outras tantas durante o dia).

Por isso, solidarize com ela este momento, seja o mais participativo e compreensível possível.

Dormir

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Desde o hospital nós chegamos a uma certeza: de que nunca mais dormiríamos 8 horas seguidas.

É lógico que as interrupções de sono são muito mais frequente para a minha mulher, por conta da amamentação, mas o choro e a insegurança de que está tudo bem ainda faz com que eu acorde algumas vezes durante a noite só pra ver se meu filho está respirando..

Claro que, atualmente, já estamos acostumados a esta nova realidade de acordar e dormir durante a noite algumas vezes e incorporamos ela para o resto da nossa vida.

Banhos, fraldas e colo

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Como já tinha cuidado do meu irmão lá no passado (quanto eu tinha 8 anos), não tive dificuldade nenhuma em pegar meu filho no colo. Já o banho foi uma grande novidade e felicidade.

Desde o primeiro banho fora do hospital, minha mulher deixou esta responsabilidade comigo. Pode parecer algo insignificante, mas eu aproveitei a oportunidade para estabelecer este vínculo especial com meu filho, algo nosso e que vai estreitando laços a medida que o tempo passa.

Vale lembrar que, diferente da mãe, que tem toda a parte biológica e física para criar o vínculo com o filho, o pai não tem o leite para dar, não passa de mais um ser estranho que precisa ralar em dobro para estabelecer a comunicação com esta pessoinha. Por isso, aproveite todas as oportunidades que estiverem disponíveis.

Conclusão

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Antes de mais nada vale a pena lembrar que a experiência que tive nesse tempo todo são poucos os pais que têm a oportunidade. Pude tirar três semanas de férias e ficar ao lado da minha mulher nesta fase da vida, enquanto a maioria dos pais só podem se contentar com 5 dias corridos ganhos quando um filho nasce.

Se você puder e tiver a oportunidade, tenha essa experiência. É cansativa e trabalhosa, mas além de ajudar a criar os laços com seu filho, você vai entender as transformações que passam em uma mulher, bem como o nível de responsabilidade, dedicação e entrega que elas precisam ter quando optam pela maternidade.

No fim, vocês sairão muito mais envolvidos e fortalecidos do relacionamento.